O governo brasileiro, por meio do Ministério da Saúde, lançou, em junho de 2010, o Projeto Vida no Trânsito, uma ação interministerial desenvolvida em parceira com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Bloomberg Philanthropies, fundação internacional de promoção de atividades na área social. O principal objetivo do Projeto é reduzir lesões e óbitos no trânsito em municípios selecionados por uma comissão interministerial. No Brasil, as cidades escolhidas foram Teresina (PI), Palmas (TO), Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR).::. Projeto Vida no Trânsito – Plano de Ação Componente Nacional Para atuação nas cidades, foram eleitos dois fatores de risco prioritários, que devem nortear as medidas de prevenção: associação entre direção e bebida alcoólica e excesso de velocidade. Outros fatores podem ser agregados pelos municípios.

O projeto tem duas etapas. A primeira foi iniciada em  2010 e se estenderá até 2012. Até lá, as cidades selecionadas devem desenvolver experiências bem-sucedidas na prevenção de lesões e mortes provocadas pelo trânsito e que possam ser reproduzidas por outras cidades brasileiras. A segunda etapa será realizada entre 2013 e 2014. Durante o projeto, os municípios participantes devem estruturar mecanismos de monitoramento e avaliação das atividades e dos resultados alcançados.

O Projeto Vida no Trânsito teve origem com a escolha do Brasil para integrar uma ação global chamada Road Safety in 10 Countries (RS 10), coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Opas, e financiada pela Bloomberg Philanthropies. Os objetivos são estimular, nos países financiados, ações de prevenção a lesões e mortes no trânsito e aumentar a capacidade de avaliar os projetos.
Além do Brasil, a OMS e a Bloomberg Philanthropies selecionaram outros nove países para implantar projetos de segurança no trânsito: Rússia, Turquia, China, Egito, Índia, Camboja, Quênia, México e Vietnã. Esses países foram escolhidos em função da alta taxa de mortalidade causada pelo trânsito, pois, juntos, respondem pela metade das mortes no trânsito em todo o mundo.

Elaboração – O grupo que discutiu, elaborou e acompanha o Projeto Vida no Trânsito é formado por representantes da Presidência da República (Casa Civil, Secretaria de Direitos Humanos/SDH, Secretaria Geral) e dos ministérios da Justiça (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas/Senad e Departamento de Polícia Rodoviária Federal/DPRF); da Saúde, dos Transportes (Secretaria de Política Nacional de Transporte) e das Cidades (Departamento Nacional de Trânsito e Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana). O Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Análise de Situação de Saúde da Secretaria de Vigilância em Saúde, coordena o Projeto no Brasil.

Também integram o grupo representantes da Opas/OMS, Bloomberg Philanthopies, Universidade John Hopkins (JHU) e Global Road Safety Partnership (GRSP), além de parcerias com universidades brasileiras (UFMG, UFRS e PUC/PR).

Cenário – De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 300 mil brasileiros perderam a vida no trânsito entre os anos de 2000 e 2008. Entre as causas externas, os óbitos decorrentes de acidentes de trânsito representam a primeira causa nas faixas etárias de 5 a 14 anos e de 40 a 60 anos de idade ou mais. Ainda considerando as mortes por causas externas, o trânsito é o segundo maior motivo de óbito para quem tem idade entre zero e 4 anos e entre 15 e 39 anos.

Estimativas da OMS, publicadas no Informe Mundial sobre Situação da Segurança Viária, em 2009, indicam que 1,3 milhão de pessoas morrem anualmente no trânsito e que, até 2030, esse número poderá chegar a 2,4 milhões, caso medidas enérgicas não sejam tomadas. Mais de 90% dos acidentes com vítimas fatais ocorrem em países de baixa e média renda, que concentram menos da metade da frota mundial de veículos motorizados.

Os usuários mais vulneráveis são os pedestres, motociclistas e ciclistas. Os dados mostram, também, que 44% dos países no mundo não têm políticas que estimulem o uso de transporte público como alternativa aos automóveis.

Fonte: http:\\www.saude.gov.br