Fonte: Escrito pela Bibliomed com exclusividade para Actual Learning

Houve uma época em que o câncer do colo uterino (CCU) era principal causa de morte por neoplasias entre as mulheres. Contudo, nas últimas 4 décadas, a disseminação do preventivo ginecológico através do exame de Papanicolaou (ou esfregaço cervical) resultou em uma diminuição espantosa da incidência e mortalidade associada ao CCU. Atualmente, novas tecnologias, como vacina para prevenção da infecção pelo Papiloma Vírus Humano (human papillomavirus ou HPV), prometem avanços ainda maiores na profilaxia do CCU.

INTRODUÇÃO

Apenas nos EUA, calcula-se que cerca de 20 milhões de pessoas estejam infectadas pelo HPV. Cerca de metade destas infecções se localizada em indivíduos com idade entre 15 e 24 anos. O HPV é tão comum que a maioria dos adultos sexualmente ativos se torna infectado em algum momento de suas vidas.

Dos mais de 40 tipos de HPV que infectam as mucosas dos seres humanos, a maioria causa apenas infecções assintomáticas e transitórias. Entretanto, certos tipos oncogênicos podem causar neoplasias cervicais e outros câncer anogenitais, incluindo tumores no ânus, pênis e vulva. Outros HPV não-oncogênicos podem causar verrugas genitais e, raramente, verrugas no trato respiratório em crianças.

De um modo geral, as vacinas profiláticas oferecem proteção contra 4 tipos de HPV: HPV 16 e 19, que causam 70% dos CCU, e HPV 6 e 11, que causam 90% das verrugas genitais. A vacina não possui efeito terapêutico na infecção já instalada, não sendo indicada no tratamento da doença em curso. Ela é produzida a partir de partículas tipo-HPV não infecciosas, e não contem timerosal ou mercúrio como conservantes.

INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES

A vacina contra HPV foi desenvolvida para oferecer proteção contra boa parte dos CCUs e verrugas genitais. A vacina é recomendada rotineiramente para meninas entre 11 e 12 anos de idade, sendo que o esquema pode ser iniciado aos 9 anos de idade. Recomenda-se uma dose de reforço entre os 13 e 26 anos para mulheres que não receberam ou não completaram o esquema vacinal.

O ideal é que as mulheres recebam a vacina antes do início da atividade sexual. Todavia, mulheres sexualmente ativas também podem se beneficiar da vacina, uma vez que poucas mulheres jovens encontram-se infectadas pelos 4 tipos principais de HPV (6, 11, 16, 18). Mulheres que já foram infectadas com um ou mais tipos de HPV ainda poderiam receber alguma proteção dos outros tipos disponíveis na vacina. Atualmente, ainda não existe um teste clinicamente disponível para determinar se uma paciente teve contato com algum (ou todos) os tipos de HPV presentes nas vacinas.

SEGURANÇA E EFICÁCIA

A segurança da vacina contra o HPV vem sendo estudada em milhares de mulheres, em muitos paises, há vários anos, e o efeito colateral mais comumente observado foi dor leve no local da aplicação da vacina. Desde o licenciamento das primeiras vacinas, ocorreram alguns relatos de síncope após a vacinação, especialmente em adolescentes. Por este motivo, recomenda-se um período de observação de 15 minutos após a aplicação da vacina..

A eficácia da vacina contra HPV foi estudada principalmente em mulheres jovens, entre 16 e 26 anos de idade, sem história de exposição prévia aos tipos cobertos. Estes estudos clínicos demonstraram uma eficácia de quase 100% na prevenção de lesões pré-cancerosas cervicais, vulvares e vaginais, além de evitas o desenvolvimento de verrugas genitais causadas pelos quatros tipos principais de HPV. Nas mulheres já infectadas por um tipo do vírus, a vacina não evitou a doença, mas protegeu a infecção pelos outros tipos cobertos.

Estudos de imunogenicidade também foram realizados em meninas entre 9 e 15 anos de idade: mais de 99% das pacientes vacinadas desenvolveu anticorpos detectáveis após a vacinação.

Apesar de ser possível que a vacinação de homens possa oferecer benefícios adicionais (diretos para os homens, indiretos para as mulheres), ainda não existem estudos de eficácia suficientes para indicar a vacina entre os homens – mas estas pesquisas estão em andamento.

A vacina certamente oferece uma abordagem promissora na prevenção do HPV e distúrbios associados, mas ela não irá substituir as demais estratégias profiláticas, uma vez que dificilmente existirão vacinas para todos os tipos de HPV.

Os estudos sugerem que o efeito da vacina persiste por, no mínimo, 5 anos.

POSOLOGIA

A vacina deve ser aplicada em uma série de 3 doses intramusculares, dispersas em um período de 6 meses: a segunda e a terceira doses devem ser administradas 2 e 6 meses após a primeira. Ela pode ser associada a outras vacinas de acordo com a faixa etária, tais como contra influenza, Td e hepatite B.

Para obter os benefícios da vacina, é essencial tomar as 3 doses. Uma vez que a vacina não protege contra todos os tipos de HPV, as mulheres vacinadas deverão continuar fazendo seu preventivo anualmente, a partir dos 21 anos de idade ou 3 anos após o início da atividade sexual, o que ocorrer primeiro.

CONCLUSÃO

Apesar dos esforços, o exame ginecológico ainda não alcança 100% das mulheres. Estima-se que metade das mulheres diagnosticadas com CCU jamais realizou um único exame de Papanicolaou, e outras 10% não foram examinadas com o teste nos 5 anos anteriores ao diagnóstico. O CCU afeta de modo desproporcional mulheres em níveis socioeconômicos mais baixos, e será provavelmente nesta população que a vacina contra o HPV fará a maior diferença.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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