Ministério da Saúde realizou auditoria para nortear plano contra o câncer de colo de útero e de mama, que terá investimentos de R$ 4,5 bilhões até 2014

Os 1.514 mamógrafos que realizam exames de mama pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dos quais 85% estão em funcionamento, oferecem atendimento avaliado como bom ou muito bom por 91% das brasileiras. O diagnóstico é resultado de auditoria e pesquisa de satisfação, ambas inéditas, realizadas pelo Ministério da Saúde em todos os 1.399 estabelecimentos de saúde que fazem mamografias no país.

“A partir desse diagnóstico, podemos trabalhar com mais precisão para dobrar o número de exames no Brasil, preenchendo a capacidade de produção dos mamógrafos”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A ação, coordenada pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), foi adotada como parte do Plano Nacional de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Colo de Útero e de Mama, lançado em março. Com investimentos do Ministério da Saúde de R$ 4,5 bilhões até 2014, o programa visa a reduzir a mortalidade entre os dois tipos de cânceres mais comuns entre as mulheres.

A vistoria apontou que o número de mamógrafos existentes no SUS é quase duas vezes maior que o necessário para cobrir toda a população brasileira, conforme parâmetro do Instituto Nacional do Câncer (INCA) de um aparelho para cada 240 mil habitantes. No entanto, a distribuição geográfica – cerca de 44% dos estão no Sudeste – e o baixo nível de produtividade são entraves à plena oferta do exame.

Entre os 15% sem uso, 111 não prestavam atendimento, 85 apresentavam defeito e 27 estavam ainda na embalagem. Conforme detectou a auditoria, problemas como ausência de manutenção (22,7%), deficiência de recursos humanos (18,8%) e falta de insumos (14,7%) provocam o baixo nível de produtividade dos aparelhos.
Os auditores identificaram que 28% dos estabelecimentos do SUS não mantinham informações atualizadas junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), abrindo margem para estabelecimentos que não mais atendiam pelo SUS ou que tinham registros de produção de mamografias, mas os exames eram realizados em postos terceirizados.

Medidas – Em parceria com estados e municípios, o Ministério da Saúde instalará mamógrafos nos locais onde estes não existem e criará unidades móveis, que atenderão cidades menores de maneira itinerante.

Outra estratégia será o reforço à manutenção dos aparelhos. Segundo o ministro Padilha, a ideia é comprar pacotes de fornecimento de insumos vinculados à assistência técnica para apoiar, sobretudo, os estados do Norte e Nordeste. Para operar os equipamentos, serão capacitados 25 mil técnicos em radiologia até 2015.

Mamografia ofertada na rede pública tem 90% de avaliação positiva

Em paralelo às auditorias, o Ministério da Saúde realizou pesquisa telefônica em todas as capitais para avaliar a percepção das usuárias quanto à qualidade dos serviços de mamografias.

A enquete apontou que 90% das mulheres avaliaram o atendimento recebido durante o exame como bom e muito bom. Para 75%, não houver qualquer dificuldade para a realização do exame – entre as outras 25%, o tempo de espera aparece como a principal queixa.

Segundo o relato das usuárias, 87,3% conseguiram realizar o exame em até 3 meses, sendo que 50,5% em até 30 dias. Já o resultado foi obtido em até um mês por 84,2% das mulheres e entre um e três meses por outras 12,2%.

Estatísticas do câncer – A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima mais de um milhão de casos novos de câncer de mama por ano em todo o mundo. No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), há aproximadamente 49 mil casos e cerca de 10 mil óbitos por ano – uma taxa bruta de 11,4 óbitos para cada 100 mil mulheres.

O Ministério da Saúde recomenda o rastreamento do câncer de mama por meio de mamografia realizada a cada dois anos nas mulheres de 50 a 69 anos, faixa etária adotada em todos os países que mantêm programa de rastreamento organizado, como recomenda a OMS.
O câncer de mama constitui-se na primeira causa de morte dentre as neoplasias em mulheres e tanto a incidência como a mortalidade têm aumentado. A detecção precoce é fundamental no controle do câncer, proporcionando a redução das internações e da mortalidade.

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